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terça-feira, 24 de junho de 2014

LUAR DE VERÃO (ÁLVARES DE AZEVEDO)



Neste "Ano Sabático" chega a noite e estou super leve, nada cansada...

que bom poder ir por aí, neste caso, foi um fim de dia em Sesimbra

numa bela noite de luar e já com temperaturas de Verão...


Luar de Verão
 O que vês, trovador?-Eu vejo a lua
Que sem lavor a face ali passeia;
No azul do firmamento inda é mais pálida
Que em cinzas do fogão uma candeia.

Nas praias lisas a maré enchente
S'espraia cintilante d'ardentia
Em vez de aromas as doiradas ondas
Respiram efluviosa maresia!

O que vês, trovador? - No céu formoso
Ao sopro dos favônios feiticeiros
Eu vejo - e tremo de paixão ao vê-las-
As nuvens a dormir, como carneiros.

E vejo além, na sombra do horizonte,
Como viúva moça envolta em luto,
Brilhando em nuvem negra estrela viva
Como na treva a ponta de um charuto.

Teu romantismo bebo, ó minha lua,
A teus raios divinos me abandono,
Torno-me vaporoso, e só de ver-te
Eu sinto os lábios meus se abrir de sono.
LUAR DE VERÃO (ÁLVARES DE AZEVEDO) - HUMOR NA "LIRA DOS VINTE ANOS"